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O rapé está de volta

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As crises de rinite começaram durante a infância, adentraram a adolescência e permaneceram até parte da vida adulta de Leila Massien. Há um mês, a acupunturista recebeu das mãos de uma amiga um pó de cor marrom para ser inalado. O efeito, segundo Leila, foi surpreendente e muito melhor do que o da cortisona, medicamento que usou durante anos para amenizar a alergia.
— Espirrei tanto que até estranhei. Depois, a sensação foi de alívio — conta Leila, de 38 anos, sobre o uso de rapé, tabaco em forma de pó, difundido séculos atrás e que passa por uma fase de redescoberta por aqui.
Nas tabacarias da cidade, o rapé pode ser encontrado em pequenas latinhas, vendidas por, no máximo, R$ 5. Os sabores são os mais variados: menta, cravo, canela e chocomenta. Assim como o cigarro, a venda de rapé é proibida para menores de 18 anos. E ele acabou virando uma alternativa diante das limitações de lugares para quem quer fumar.
—Tem gosto pra tudo, né? — diz Francisco José Pontes, vendedor há duas décadas de uma das mais tradicionais tacabarias, a Lolló, em Copacabana. — Mas geralmente quem compra passou dos 30 anos.
A coach de carreira Valéria Maluf recorre ao rapé, que conheceu ainda criança, quando está com sinusite.
— O meu avô sempre andava com uma latinha no bolso e dava para a gente cheirar e espirrar. Quando estou com muita dor de cabeça, uso — conta.
ALERGISTA CRITICA
O recurso usado por Valéria, segundo o presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, José Carlos Perini, não é indicado.
— O rapé tem tabaco na composição, uma droga cujo consumo pode levar à dependência e a doenças como câncer. Além disso, não existem evidências científicas que mostrem que é benéfico para os alérgicos — afirma o médico, que sugere uma consulta com especialista para a definição do tratamento adequado para cada caso.
Consumido pelos nobres europeus e usado, inicialmente, como forma de aliviar a enxaqueca, o rapé era uma espécie de artigo de luxo quase sempre guardado em caixinhas exclusivíssimas. Nos elegantes salões onde circulava gente de sangue azul, elas eram conhecidas como snuffboxes. Hoje, algumas são objetos de museus. No Metropolitan de Nova York, por exemplo, em meio a tantas obras de arte, estão caixas de ouro e cravejadas de diamantes e rubis.

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CAMPEONATO NA ALEMANHA
Com a sua popularização, dizem, houve Papa ameaçando excomungar quem aspirasse o pozinho e rei instituindo pena de morte aos mais persistentes no uso. Hoje, o rapé inspira até campeonato na Alemanha, que reúne gente de várias partes do mundo. O desafio é conseguir enfiar no nariz a maior quantidade do tabaco durante o tempo máximo de 60 segundos. Quem, além de tudo, não der um único espirro, leva um troféu para casa.
Mas muito, muito antes dos nobres e destes animados alemães, os indígenas já produziam e consumiam em cerimônias e rituais de cura o seu próprio rapé, que também é facilmente encontrado bem longe da floresta. Na Tucum, em Santa Teresa, é possível comprar por R$ 30 vidrinhos artesanais feitos por diferentes tribos.
— Recebi uma leva do Acre em dezembro, que praticamente acabou — conta Amanda Santana, sócia da loja, que também vende aplicadores por até R$ 250. — Quem procura tem alguma conexão e muito respeito pela cultura indígena. Esta é a nossa diferença.
por: O GLOBO

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