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'Estão à própria sorte', diz indigenista sobre povos isolados

Os isolados
O trabalho com Índios Isolados começou na Fundação Nacional do Índio (Funai) em 1987, quando o órgão criou o Departamento de Índios Isolados e mudou sua política sertanista. Assim conta Carlos Meirelles, que fez parte deste processo e lembra das mudanças realizadas na época. "A gente aproveitou o ganho da nova constituição e fizemos uma proposta de política, em que inverteu a ordem de prioridade. A prioridade então seria proteger os índios isolados e não fazer contato com eles", conta.

Meirelles, que na época era técnico de indigenismo na Funai, foi trabalhar em 1988 onde hoje é localizada a Frente de Proteção Etnoambiental Rio Envira, como coordenador do local. "Eu vim para o Acre em 76. Trabalhava com Jaminawa, Manchineri, mas com isolados foi a partir de 88", lembra.

Desde então o indigenista trabalha e estuda povos isolados. Segundo ele, no Acre, há quatro grupos distintos de índios isolados. "Na região do Envira tem três grupos de isolados que são agricultores. Mas depois de três anos eles mudam. É uma andança do roçado, mas não é o nomadismos. Pelas características dos roçados e casas, é possível que eles sejam de etnias Panos", explica.
Existe também um outro grupo, que Meirelles gosta de classificar como caçadores e coletores. "Os caçadores e coletores andam em uma área muito grande, mas é sempre aquela área. Anda sazonalmente na região da Terra Indígena do Mamoadate, onde ficam os Manchineri. E também no Envira", diz.
De acordo com ele, desses quatro grupos de índios isolados, metade vive na área de fronteira com o Peru. "Uma hora eles estão do lado brasileiro, outra eles tão do lado peruano. Eles sempre moraram ali, a gente que inventou uma linha imaginária e colocou no meio. Eles não migram, eles sempre estiveram ali. Mas quando está ruim de um lado, ele ficam na outra parte da fronteira", comenta.
O ex-sertanista explica que devido as explorações de petróleo, madeira e o tráfico de drogas no lado peruano, os isolados estão aparecendo com maior frequência no lado brasileiro. Só que a região do rio Envira já sofreu diversas vezes com a invasão de traficantes de drogas. Atualmente a frente de proteção não está funcionando, de acordo com Meirelles.
Além disso, como existem várias evidências de índios isolados no Brasil e a demarcação pode ser feita sem que eles sejam contatados, muitos são mortos por grandes fazendeiros. "Os grandes fazendeiros, se desconfiarem que tem índio isolado na terra deles, mandam matar tudo, sumir com os vestígios se não perde a terra", afirmou Meirelles.

fonte: G1 acre

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